Justificação Pela Fé-A Perspectiva Divina e a Humana

& Analisando Ensinos Bíblicos  &

Prof. Azenilto G. Brito

A relação entre o ato objetivo da redenção e a apropriação subjetiva da fé pode ser ilustrada por um evento da história americana. Em 1o. de janeiro de 1863 o presidente Abraham Lincoln declarou a emancipação geral dos escravos por todos os Estados Unidos. Quando o escravo individual ouvia sobre o que Lincoln havia feito e cria em tal informação ele aplicava a notícia a si próprio individualmente e assim tornava-se pessoalmente livre.

Há duas perspectivas na transação chamada justificação pela fé: A fé é contada como justiça. Segundo a perspectiva humana existe a fé; segundo a perspectiva divina, há a imputação de justiça.

Analisando mais detidamente a perspectiva humana pode-se ver que o pecador ouve sobre o que Deus realizou em Cristo e como propiciou-lhe uma perfeita justiça pela qual ele pode passar incólume pelo julgamento de Deus.

Ele aprende sobre a vida justa de Cristo, e que Seus tremendos sofrimentos e morte ocorreram por sua causa. Cristo foi o seu Substituto legal e Representante, e Deus está preparado para computar a vida justa e morte de Cristo como se fossem suas, se ele apenas aceitar isso.

Agora, esse pobre pecador, perdido em pecado, sente-se tão desamparado que nem pode por si mesmo crer em Cristo ou ir até  Ele. Mas Deus o chama por Sua Palavra (Rom. 10:17), ilumina-o por Seu Espírito (João 16:8) e capacita-o a crer.

Do lado da perspectiva divina, Deus “imputa a justiça sem obras” a esse homem. A justiça que Ele imputa  é a justiça de Um, ou a obediência de Um (Rom. 5:18, 19). A palavra “imputar” ([i]logizomai[/i]) significa creditar. Em si mesmo isso não significa mudança no objeto, mas muda a forma como o objeto é considerado. Nesse caso significa que o pecador crente recebe crédito da vida e morte de Cristo. O crente comparece perante a barra da justiça como se todas as obras e atos de Cristo fossem suas.

Um jovem fazendeiro foi convocado para servir o exército durante a Guerra Civil Americana. Por causa de certas dificuldades na época da convocação, outro homem apresentou-se para servir em seu lugar e foi aceito como seu substituto. Esse homem perdeu a vida durante a guerra. Em época posterior, o jovem fazendeiro foi novamente convocado. Sua resposta foi: “Eu já servi”. Contudo, o exército não queria aceitar sua alegação e ele apelou à corte suprema do país. E a corte decidiu em seu favor. Ele havia servido, para todos os efeitos legais.

Seria o tribunal divino menos justo? Com base na justiça imputada de Cristo Deus pode justificar o ímpio (Rom. 4:5) que crê em Cristo. Não se trata de uma questão de como isso pode ser feito (ver Rom. 3:26). No veredito da divina corte o pecador crente é [i]justificado [/i](Rom. 3:24-28). Isso não significa que ele é tornado justo, e sim que é DECLARADO como tal.

Justificação tem que ver com categorias judiciais. Não é algo realizado no pecador pelo Espírito Santo, mas simplesmente um julgamento, um decreto, ou um veredito do Juiz. Esse é o pleno sentido de justificar toda vez que vem usado em contextos como esse por toda a Bíblia (ver Deut. 25:1; Mat. 12:36, 37; Rom. 2:13; Prov. 17:15; 2 Crôn. 6:23; 1 Reis 8:32. Luc. 7:29).
 
 

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